quarta-feira, 20 de outubro de 2010

INSÔNIA


Liga e desliga a TV. Calça o chinelo. Abre e fecha a geladeira. O olho no olho mágico flagra a motoqueiro vigilante urinando no poste. O cachorro late para não perder o costume de latir. O vizinho ronca alto.

O olho mágico flagra o olho olhando-o. O vizinho roncando é alto. Fecha a TV. O poste urina no motoqueiro vigilante. Liga a geladeira. Descalça o chinelo. O latido acorda o cachorro acostumado a latir.

O vizinho ronca no olho mágico. O motoqueiro vigilante abre a geladeira. O latido do cachorro liga e desliga a TV. O poste alto calça o chinelo. O costume fecha o olho.

Liga e desliga a TV deitado numa cama de rãs. Abre e fecha a geladeira com a cabeça apoiada num travesseiro de gafanhotos. Embrulhado num lençol de espinhos olha no olho mágico e flagra o motoqueiro vigilante urinando no poste.

Ao amanhecer- o cachorro late acostumado, o vizinho ronca alto - vê a professora jovem passando para o colégio com óculos escuros e pensa que a insônia é uma Medusa de Rayban

4 comentários:

Iuri Petrus disse...

Este texto me lembrou um conto do
Bukowsky chamado cobertor, com este mesmo ambiente de insônia, sonho, imaginário e realidade...caso não tenha lido e queira ler, o Renan tem o livro.

Luís Diniz disse...

Pô, tio, esse conto de que falas do Buk ainda não li. Curioso e insone para conhecê-lo!

Renan disse...

não empresto livro meu pro Luis, sempre tivemos problemas quanto a isso. e você Iuri, pare de agenciar minhas posses.
Que fique dito.

Luís Diniz disse...

Problemas pra mim, né verdade?