segunda-feira, 13 de junho de 2011

NA ESCOLA, LÁ LONGE

no primeiro dia voltei pra casa soluçando e querendo a minha mãe, o conga
novinho ficou todo molhado de pranto e o meu pai ameaçou me dar uma surra

no segundo dia eu continuava sem entender. mas o que diabo era aquilo, um
bocado de menino sentado um atrás do outro e uma velha na frente falando?

no terceiro dia apareceu uma menina que não tinha aparecido ainda e trouxe
com ela a tira colo uma bolsa de plástico muito colorida com suco e bolo dentro

no quarto dia eu e mais dois colegas operamos a menina da lancheira nos fundos
da escola. cirurgia delicada mas valeu a pena: provamos o bolo e o sucozinho dela

no quinto dia alguém riscou fósforo no meio da aula, alguém peidou, alguém viu
jesus na parede, alguém chorou, o professor de dois mais dois se matou enforcado

no sexto dia a tia apujaci contava a parábola do bom samaritano e eu desenhava
bocetas aladas querendo que elas saíssem do caderno e voassem pela sala

6 comentários:

Cláudio Marconcine disse...

não consigo ler seu blog no meu celular. entre em configurações que tem uma versão beta. é para as salas de consultório... não gosto muito de folhear as revistas...

Luís Diniz disse...

Copiado, professor. A sugestão foi encaminhada para o setor de corte e costura.

Carlos Leen Santiago disse...

Belo texto, que escrita refinada e rara...parabéns!

Luís Diniz disse...

Valeu, Leen...

Vanusa Babaçu disse...

Eu que ja carregeui meu sucozinho ou os ksucos de groselha. Groselha?
e os meninos faziam montinhos de terra no pátio e comiam suas bocetinhas de terra!!!
Pau de terra é que eu não tive notícias, que pena!

É a desgracência ou o velho jardim de infancia???

beijos

Luís Diniz disse...

Bocetas de terra... hahaha. Beijos, Vanusa.