sábado, 24 de novembro de 2012

ATAR OU DESATAR

Às vezes é como excluir um blog. Definitivamente. Ou não querer saber os segredos que a família guarda nas gavetas do guarda-roupa do parente que se foi. É mais uma questão de momento. Que os últimos créditos do celular fecundam os piores SMS. E o derradeiro gole da cerveja em lata, aquele gole morno, às vezes é preciso tomar sem fazer careta. Puxar o band-aid com força, com raiva, para que a ferida reste exposta diante dos olhos de todos. Latejando minúsculas nascentes de sangue. Às vezes é preciso descer um balde ao fundo do poço e puxá-lo torcendo para que suba só a corda. Para que a sede, finalmente, morra de sede. Verbalizar sem emoção alguma a palavra rude que traz consigo a contundência capaz de quebrar um nariz. Aquele ato meticulosamente pensado porque não pode ser repensado. Às vezes tão irrevogável quanto o pai de família que chega em casa e mete um cano na boca e aperta o gatilho.

3 comentários:

Iuri Petrus disse...

Mas num fecha esse aqui não, viu?Prefiro te ler por aqui que por lá...vai ver é meu saudosismo aos formatos antiquados, especialmente o livro.

Luís Diniz disse...

Beleza, meu rey, sempre alimentarei isso aqui.

Anônimo disse...

Iêbaaa!