quarta-feira, 18 de maio de 2011

CLAYTON CRONISTA

Dia desses, na saudosa (já?) terça jazz do Boteco do Frei, encontrei dois antigos amigos, Clayton Noleto e Márcio Papel. Noite de boas risadas, muitas cervejas e alguns pasteizinhos. Tanta conversa fiada e à vista que esqueci de falar pro Clayton - candidato à Câmara Federal na eleição passada - que tinha lido um texto dele na internet. Da época que ele tinha um blog, no finado ano de 2.007. Texto tão bom e tão bem escrito que faço questão de compartilhar por aqui:



SOBRE VERDADES UNIVERSAIS

Estou convencido (pra usar uma expressão cara ao nosso presidente) de que as chamadas verdades universais são falhas. As verdades universais constituem um instrumento poderoso utilizado por sábios desde tempos imemoriais com objetivo de reduzir a uma frase de efeito um tema complexo e de difícil definição. Não desejo, porém, nem poderia, escrever um tratado filosófico. Anseio apenas por relatar um fato ocorrido comigo há algum tempo.

Quando eu tinha 19 anos, conheci uma garota de Brasília de 16 anos. Ela era metida a moderninha. Lindíssima. Eu gostava disso, é claro. Ouvíamos Chico Buarque e, vá lá, conversávamos a respeito de filosofia (mas nem com tanto respeito assim, se me permitem o trocadilho infame e o clichê sem ironia). Ela dizia que me admirava, que gostava de mim. Apaixonei-me por ela. Engatamos um namoro. Mas eu sei que ela gostava mesmo (ou também) era de um playboy com seus carrões, motos possantes, dinheiro no bolso e afeito a um espelho. Havia diversidade nos relacionamentos dela (uma forma de dizer que rolava traição). Não sei dizer se, à época, eu sabia e fingia que não sabia (era mais confortável) ou apenas desconfiava e tinha medo de descobrir a verdade. Um tempo depois, ela mesma me procurou e disse que não dava mais. Estava apaixonada por outro. Tinha encontrado mais carinho e atenção. Um exemplo clássico de vitimologia. Eu havia me tornado o culpado. De repente, tinha sido eu o causador do fim do romance. Afinal, estivera ausente, segundo ela, em demasia. Confesso que não me lembro de ter ficado tanto tempo ausente. Mas tudo bem. Terminamos o namoro, embora com algumas recaídas. Lembro-me que ela, finalizando o romance, elaborou algo como "eu te admiro, mas não te amo".

Moral da história 1: eu, no anseio de tornar uma máxima filosófica minha experiência, escrevi num velho caderno de folhas amarelas: "as mulheres não amam os homens que admiram" (estou me recompondo, após uma longa gargalhada).

Moral da história 2: minha máxima filosófica atual, depois de 11 anos: "As mulheres terão dificuldade de amar um homem, mesmo que o admire, se ele for feio, andar de bicicleta e sem nenhum tostão no bolso".

Não tem filosofia que dê jeito!

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