I STARTED A JOKE
In: faixa do disco WHO CARES A LOT (1998)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
INSTANTES
![]() |
Sir William Burrougs e sua pistola. |
É Dostoievski encarando o pelotão de fuzilamento. Na África, entre mercadores e camêlos, Rimbaud traficando armas. É Kafka caminhando burocraticamente pelas ruas de Praga. Borges caindo vertiginosamente no abismo de seus pesadelos indecifráveis. Ligia Fagundes Telles pressentindo o exato momento da morte de Clarice Lispector. Poe urinando e soluçando sem parar numa esquina de Boston. São Graciliano Ramos e Oscar Wilde na cadeia. Hemingway se suicidando com uma arma de caça. Kerouac chapado num programa de entrevistas de uma TV italiana: "Você é linda, garota. Você é Fernanda Pivano?". Baudelaire fumando ópio sob uma noite estrelada. Raduam Nassar abandonando a literatura para criar galinhas num sítio em São Paulo. É o exímio atirador William Burrougs mirando o copo de whisky em cima da cabeça de sua namorada e vagarosamente apertando o gatilho até atirar e acertá-la na testa. Lima Barreto dormindo bêbado num bar do Rio. Jack London cruzando o Pacífico Sul num veleiro. Claudio Willer navegando o Pindaré-Mirim, numa canoa, em 1964. Sousândrade imaginando uma Nova York em Alcântara. É Hunter Thompson cheirando a última fileira de cocaína. Camus no banco detrás de um Facel-Véga, pensando no título de um livro minutos antes do carro capotar na rodovia entre Marcelha e Paris. Armado, colérico, é Euclides da Cunha entrando na casa do amante de sua mulher e berrando "Vim pra matar ou morrer!". É Bukowsk, de ressaca, trabalhando no U.S. Postal Service. Lautreàmont ejaculando no banheiro de uma escola francesa. Ana Cristina César em camisa de bolinhas e abraçada a um gatinho na Baixada Maranhense. Haroldo de Campos no banheiro gritando para a sua mãe trazer a toalha de banho bordada com o seu nome. Maiakovski, numa faísca de pensamento, cunhando o verso É melhor morrer de vodka que de tédio. É o vagabundo iluminado Neal Cassady roubando seu trigésimo carro, décadas antes do poeta Ferreira Gullar interromper uma conferência sobre o Poema Sujo para atender uma ligação telefônica. É José Sarney telefonando para Ferreira Gullar.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)