quinta-feira, 29 de abril de 2010

DEPOIS DAQUELE FILME

pensando em estimadas pessoas que de repente sumiram da minha vida

“Alta noite jazia”, Arnaldo, e enquanto os justos dormiam, nós, guiados por Ginsberg, só pensávamos em percorrer a “madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa”. Indiferentes como Fernando –“tantas vezes reles”- e salientes como Piva –“os malandros jogam ioiô na porta Abismo”-, éramos Raskolnikovs sem culpa sussurrando Gullar na orelha da sociedade –“teu nome está inscrito na parte mais úmida dos meus testículos suados”-, urinando sobre os manjares dos deuses, quebrando pactos, desafiando vida e morte –“tanta violência”, Faustino, “mas tanta ternura!”- e ilesos no dia seguinte –“mostrando os dentes, rindo ao sol com insolência” (e haveria outro modo, Vladimir?)-, loucos videntes da felicidade, desconhecíamos que em poucos anos, como membros amputados, irreconhecíveis burocratas, saudosos covardes –“matamos o tempo”, Machado, “o tempo nos enterra”-, diante de um Drummond –“porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan”-, folhearíamos velhas fotografias num álbum da Tietri Color e depois dormiríamos o sono dos justos sobre nossos colchões ortopédicos.

4 comentários:

Renan disse...

acho que gostei disso. já tem alguns anos que gosto do cheiro do mofo.

Vanusa Babaçu disse...

Prefiro o sono dos condenados na minha rede de algodão paraibano. Mas as fotos dos albuns da tietri eu não dispensaria.

Luís Diniz disse...

Mas é como disse aquele filósofo: "Ninguém se afoga duas vezes no mesmo rio".

Iuri Petrus disse...

Na verdade me sinto mofando...se gosto ou não , não sei.