O mesmo andava pela principal avenida da cidade quando viu, na frente de uma calçadeira, a Barra Circular vermelha estacionada. O mesmo ainda tentou resistir à tentação, mas não conseguiu. Chegou perto da magrela, passou a perna por cima e saiu pedalando como se ela fosse sua. Era Natal e a avenida estava movimentada. Alguém viu o mesmo furtando a bicicleta e avisou uma dupla de Cosme e Damião que estava próxima do local. Antes do mesmo dobrar a esquina, os policiais militares o agarraram e o conduziram para a delegacia, não sem antes darem muito na cara do mesmo, fazendo o mel descer da sua venta.
Na porta do Plantão Central, vários repórteres já esperam o mesmo, que chegou algemado e segurando a bicicleta pendurada pelo lado de fora do camburão. Na permanência, perguntado por um repórter – um repórter gordo – sobre o motivo de seu calção estar rasgado, o mesmo falou: “Num ti interessa”. O repórter gordo ficou alterado e gaguejou por uns instantes, mas logo posicionou-se olhando para câmera de modo que o mesmo, algemado, aparecesse em segundo plano atrás de si: “Um vagabundo desse ainda é saliente! Rouba e fica tirando graça. É muita cara de pau de mermo... Depois que a população mata um infeliz desse de paulada aí vem os direito zumano defender uma praga dessa.” Depois, recomposto, perguntou ao policial: "Cabo Deusimar, como se deu a prisão do mesmo?" O policial encostou o braço no balcão da permanência e disse: “A gente tava fazendo o patrulhamento de rotina no centro quando fomos avisado de que o mesmo tinha roubado uma bicicleta. Aí a gente caiu em campo e conseguiu capturar o mesmo. Na hora da prisão ele já tava dominado pela população que aliás já tinha batido muito no mesmo”. O repórter gordo então comentou, apontando para o mesmo: “Esse pode levantar as mão pro céu, minino!”. E depois, colocando uma mão no ombro do Cabo Deusimar: “Se num fosse o polícia aqui, a população tinha dado um jeito no mesmo”.
Outro repórter – esse baixinho e careca – chegou perto do mesmo e perguntou: “Rapais, por que tu robô essa bicicleta, a bicicleta de um trabalhadô?” O mesmo respondeu, cabisbaixo: “Num sei não, dotô. Parece que é uma doença que eu tenho, essa de robá”. O repórter se afastou do mesmo e, falando baixinho, bem próximo à câmera, como se falasse naquele momento somente com o telespectador: “Doença? Essa é nova! Isso é muito é um mão de carrapicho, meu amigo: onde bate, aprega”. Depois, retornando ao mesmo: “Rapais, sai dessa vida, tu é novo. Te entrega pra Jesus. Trabalha que tu consegue as coisa.” E enquanto o mesmo era conduzido pro gabinete do delegado, o repórter baixinho e careca posicionou-se na frente de um banner promocional e anunciou: “Tá pensando em construir? Tijolo? Cimento? Pia? Telha? Vaso sanitário? Não tem outro não, é Material de Construção do João.”
Quando o mesmo adentrou no gabinete, lá já estava a repórter bonita e cheirosa, em momento íntimo com a autoridade policial. Enquanto o delegado, desprevenido, tentava acertar o buraco do botão da calça, a repórter bonita e cheirosa, tentando se recompor, ajeitava o cabelo e segurava o microfone com força além do habitual. Comunicado por Cosme e Damião a respeito do delito, o delegado – um homem jovem e disposto – procedeu à autuação em flagrante delito do mesmo. Perguntado ao mesmo o por que do furto, o mesmo respondeu: “Sabe, dotô, eu só ia dá uma volta na biscleta, depois ia dechá ela lá no mermo lugar”. Terminado o flagrante e recolhido o mesmo para o presídio, a repórter bonita e cheirosa barganhou uma entrevista com o delegado. No jornal das sete, ela perguntou: “Delegado, o que o mesmo disse a respeito do furto da bicicleta”. “Ele, como todos os outros meliantes, a principio negou, mas no fim acabou reconhecendo a autoria do delito. Interessante é a motivação defendida pelo mesmo: um simples passeio. Segundo o mesmo, ele queria a bicicleta apenas para passear, devolvendo-a depois ao dono. Ora, é sabido que na França isso é possível. Lá o governo disponibiliza um serviço que possibilita a qualquer citadino apanhar uma bicicleta em determinados pontos da cidade e usá-la por determinado período, desde que pague uma taxa para tanto e devolva a bicicleta onde a apanhou ou em outro ponto credenciado. O que não é o caso do Brasil e muito menos do mesmo, evidentemente. Então temos quase certeza de que o mesmo iria trocar a bicicleta por pedras de crack, já que manchas nos dedos do mesmo denotam o uso regular do entorpecente.”
Terminada a entrevista, a repórter bonita e cheirosa enlaçou o delegado e sussurrou, quase enfiando a língua em seu ouvido: “Gosto muito desse teu cheiro de homem. Meu gostoso...” E o delegado, apertando-a pela cintura de modo a fazê-la sentir o volume de sua pistola e levantando-a um pouco acima do chão: “Hum... é mesmo?”
Na porta do Plantão Central, vários repórteres já esperam o mesmo, que chegou algemado e segurando a bicicleta pendurada pelo lado de fora do camburão. Na permanência, perguntado por um repórter – um repórter gordo – sobre o motivo de seu calção estar rasgado, o mesmo falou: “Num ti interessa”. O repórter gordo ficou alterado e gaguejou por uns instantes, mas logo posicionou-se olhando para câmera de modo que o mesmo, algemado, aparecesse em segundo plano atrás de si: “Um vagabundo desse ainda é saliente! Rouba e fica tirando graça. É muita cara de pau de mermo... Depois que a população mata um infeliz desse de paulada aí vem os direito zumano defender uma praga dessa.” Depois, recomposto, perguntou ao policial: "Cabo Deusimar, como se deu a prisão do mesmo?" O policial encostou o braço no balcão da permanência e disse: “A gente tava fazendo o patrulhamento de rotina no centro quando fomos avisado de que o mesmo tinha roubado uma bicicleta. Aí a gente caiu em campo e conseguiu capturar o mesmo. Na hora da prisão ele já tava dominado pela população que aliás já tinha batido muito no mesmo”. O repórter gordo então comentou, apontando para o mesmo: “Esse pode levantar as mão pro céu, minino!”. E depois, colocando uma mão no ombro do Cabo Deusimar: “Se num fosse o polícia aqui, a população tinha dado um jeito no mesmo”.
Outro repórter – esse baixinho e careca – chegou perto do mesmo e perguntou: “Rapais, por que tu robô essa bicicleta, a bicicleta de um trabalhadô?” O mesmo respondeu, cabisbaixo: “Num sei não, dotô. Parece que é uma doença que eu tenho, essa de robá”. O repórter se afastou do mesmo e, falando baixinho, bem próximo à câmera, como se falasse naquele momento somente com o telespectador: “Doença? Essa é nova! Isso é muito é um mão de carrapicho, meu amigo: onde bate, aprega”. Depois, retornando ao mesmo: “Rapais, sai dessa vida, tu é novo. Te entrega pra Jesus. Trabalha que tu consegue as coisa.” E enquanto o mesmo era conduzido pro gabinete do delegado, o repórter baixinho e careca posicionou-se na frente de um banner promocional e anunciou: “Tá pensando em construir? Tijolo? Cimento? Pia? Telha? Vaso sanitário? Não tem outro não, é Material de Construção do João.”
Quando o mesmo adentrou no gabinete, lá já estava a repórter bonita e cheirosa, em momento íntimo com a autoridade policial. Enquanto o delegado, desprevenido, tentava acertar o buraco do botão da calça, a repórter bonita e cheirosa, tentando se recompor, ajeitava o cabelo e segurava o microfone com força além do habitual. Comunicado por Cosme e Damião a respeito do delito, o delegado – um homem jovem e disposto – procedeu à autuação em flagrante delito do mesmo. Perguntado ao mesmo o por que do furto, o mesmo respondeu: “Sabe, dotô, eu só ia dá uma volta na biscleta, depois ia dechá ela lá no mermo lugar”. Terminado o flagrante e recolhido o mesmo para o presídio, a repórter bonita e cheirosa barganhou uma entrevista com o delegado. No jornal das sete, ela perguntou: “Delegado, o que o mesmo disse a respeito do furto da bicicleta”. “Ele, como todos os outros meliantes, a principio negou, mas no fim acabou reconhecendo a autoria do delito. Interessante é a motivação defendida pelo mesmo: um simples passeio. Segundo o mesmo, ele queria a bicicleta apenas para passear, devolvendo-a depois ao dono. Ora, é sabido que na França isso é possível. Lá o governo disponibiliza um serviço que possibilita a qualquer citadino apanhar uma bicicleta em determinados pontos da cidade e usá-la por determinado período, desde que pague uma taxa para tanto e devolva a bicicleta onde a apanhou ou em outro ponto credenciado. O que não é o caso do Brasil e muito menos do mesmo, evidentemente. Então temos quase certeza de que o mesmo iria trocar a bicicleta por pedras de crack, já que manchas nos dedos do mesmo denotam o uso regular do entorpecente.”
Terminada a entrevista, a repórter bonita e cheirosa enlaçou o delegado e sussurrou, quase enfiando a língua em seu ouvido: “Gosto muito desse teu cheiro de homem. Meu gostoso...” E o delegado, apertando-a pela cintura de modo a fazê-la sentir o volume de sua pistola e levantando-a um pouco acima do chão: “Hum... é mesmo?”

