segunda-feira, 23 de maio de 2011

DESAPARECIDA

A garota ao lado chama-se Poliana Galheiro Leal e está desaparecida desde o final da semana passada. Segundo familiares, na sexta-feira, 20 de maio, ela esteve em Imperatriz, onde recebeu R$ 1.900,00 referentes a direiro trabalhista, e no mesmo dia à tarde embarcou num ônibus da empresa Nova Sião com destino a Amarante, onde mora. Foi vista pela últmia vez em Buritirana, na praça da cidade, sozinha. Nesse dia eu estava trabalhando e diligenciei à sua procura. Um homem que a viu afirmou que ela reclamava de tontura e enjoo em função da viagem de ônibus. Até agora está tudo muito estranho. Muito boato e pouco fato. Enfim, qualquer informação sobre o seu paradeiro pode ser repassada através dos telefone 3532-2159 (Delegacia de Polícia de Amarante), 3525-1545 (Plantão Central de Imperatriz) ou 190 (Polícia Militar).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

CLAYTON CRONISTA

Dia desses, na saudosa (já?) terça jazz do Boteco do Frei, encontrei dois antigos amigos, Clayton Noleto e Márcio Papel. Noite de boas risadas, muitas cervejas e alguns pasteizinhos. Tanta conversa fiada e à vista que esqueci de falar pro Clayton - candidato à Câmara Federal na eleição passada - que tinha lido um texto dele na internet. Da época que ele tinha um blog, no finado ano de 2.007. Texto tão bom e tão bem escrito que faço questão de compartilhar por aqui:



SOBRE VERDADES UNIVERSAIS

Estou convencido (pra usar uma expressão cara ao nosso presidente) de que as chamadas verdades universais são falhas. As verdades universais constituem um instrumento poderoso utilizado por sábios desde tempos imemoriais com objetivo de reduzir a uma frase de efeito um tema complexo e de difícil definição. Não desejo, porém, nem poderia, escrever um tratado filosófico. Anseio apenas por relatar um fato ocorrido comigo há algum tempo.

Quando eu tinha 19 anos, conheci uma garota de Brasília de 16 anos. Ela era metida a moderninha. Lindíssima. Eu gostava disso, é claro. Ouvíamos Chico Buarque e, vá lá, conversávamos a respeito de filosofia (mas nem com tanto respeito assim, se me permitem o trocadilho infame e o clichê sem ironia). Ela dizia que me admirava, que gostava de mim. Apaixonei-me por ela. Engatamos um namoro. Mas eu sei que ela gostava mesmo (ou também) era de um playboy com seus carrões, motos possantes, dinheiro no bolso e afeito a um espelho. Havia diversidade nos relacionamentos dela (uma forma de dizer que rolava traição). Não sei dizer se, à época, eu sabia e fingia que não sabia (era mais confortável) ou apenas desconfiava e tinha medo de descobrir a verdade. Um tempo depois, ela mesma me procurou e disse que não dava mais. Estava apaixonada por outro. Tinha encontrado mais carinho e atenção. Um exemplo clássico de vitimologia. Eu havia me tornado o culpado. De repente, tinha sido eu o causador do fim do romance. Afinal, estivera ausente, segundo ela, em demasia. Confesso que não me lembro de ter ficado tanto tempo ausente. Mas tudo bem. Terminamos o namoro, embora com algumas recaídas. Lembro-me que ela, finalizando o romance, elaborou algo como "eu te admiro, mas não te amo".

Moral da história 1: eu, no anseio de tornar uma máxima filosófica minha experiência, escrevi num velho caderno de folhas amarelas: "as mulheres não amam os homens que admiram" (estou me recompondo, após uma longa gargalhada).

Moral da história 2: minha máxima filosófica atual, depois de 11 anos: "As mulheres terão dificuldade de amar um homem, mesmo que o admire, se ele for feio, andar de bicicleta e sem nenhum tostão no bolso".

Não tem filosofia que dê jeito!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

XILOGRAVURA

Clica na imagem. Aumenta o zoom. Depois liga pro Cláudio.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

DE FILME EM FILME

Fast Film (2003), curta de animação do austríaco Virgil Widrich.

terça-feira, 26 de abril de 2011

FIGURAS DO MEU ÁLBUM (IV)

GERALDO ( VULGO "G.G. GONZAGA", "LEREU", "GENERALDO")

Duas moscas gordas esperneavam dentro do copo de cerveja. Minha mãe falou: "Seu Geraldo, caiu umas mosca aí no seu copo". Geraldo elevou o copo na altura da cara. Olho-o com uma típica desaprovação de beiço. "Essas inseta vão beber agora é dentro do meu bucho" - e virou o copo na frente de três gerações da minha família. A cena acima se passou na varanda da minha casa, após um bucólico almoço preparado por minha mãe. Era um sábado e ela acabava de conhecer o Geraldo. Eu sabia que isso poderia acontecer. Conheço os modos desse velho há muito tempo. Não foi a primeira nem a última presepada. Consta no seu currículo até a apologia ao incesto durante outro almoço no seio de outra família. Não tem jeito. Ele fala o que pensa. Na lata, sem concessões. E também faz o quer com sua vida breguessa. Tanto que se mandou de Manaus e veio morar em Imperatriz. É o mestre dos apelidos – foi ele quem me apelidou de "Luís Mulher" – e o doutor da mentira paulatinamente transformada em verdade – espalhou tanto o boato de que o Carlinhos namorava o Iuri que muita gente acreditou. Nem os filhinhos do segundo casamento escaparam: Maria Fernanda ganhou a alcunha de "Má Fé" e Jorge transformou-se em "Coco" (como se vê o Geraldo não vale um relógio usado das bancas do Troca-Troca). Também é um exímio comprador de velharias. Moto velha, carro velho, bicicleta velha, tudo que funciona precariamente lhe interessa. Há quem diga que ele teve um affair com o João Ricardo, um estudante de administração de São Luís que passou pelo CESI/UEMA. Ele não afirma nem nega. Apenas sorri e diz que já vai para o oitavo cu.Toca violão e dá pitaco em som como só ele mesmo. Qualquer equalização que não seja a sua é irregular. "Ei, tá muito estridente", ele grita da mesa do bar e depois se levanta pra "arrumar" o som da caixa amplificadora. O Geraldo é um humilhador caridoso. Lembro que quando a gente era um bando de desempregado, geralmente ele pagava as contas dos bares sozinho. Antes, porém, ele pedia contribuição dos presentes. Como pouca gente contribuía, ele sacava algumas notas do bolso e as espalhava sobre a mesa. Depois olhava pra gente e dizia: "Quem tem bota, quem não tem tira". Caso alguém persistisse em não contribuir com a vaquinha, ele interpelava: "Então tira!". Aí, quando o liso tirava alguma nota de cima da mesa (e era obrigado a tirar), ele dizia: "Agora bota!". O Geraldo também é um entrosado. Gosta de andar com gente jovem. Uma vez o vi descendo a ladeira Beira Rio rodeado de pivetes, com uns braceletes de metaleiro nos braços, indo para um show na antiga Usina. Em outro show de rock – este de rock evangélico, diga-se – ele começou a pregar a favor do diabo no meio da massa de fiéis. Na praça da cultura ele tomou o microfone das mãos de um vocalista de uma banda punk e falou que, depois do show, todo mundo estava convocado pra ir com ele pras Quatro Bocas de Fumo. Quer ser pra sempre um rapazola, esse Geraldo. Afinal ainda lembro que durante uma mostra de poesia regada a álcool e música na UEMA, após ler alguns poemas que estavam pendurados no mural em frente ao DCE , o Geraldo olhou pra mim e falou sério, com seu chiado amazônico: “Luís, aconteça o que acontecer na vida, eu só não quero perder a jovialidade”. Não perderá, meu velho. Não perderá.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

CINECITTÀ

Film-Film-Film! (1968), curta de animação do russo Fedor Khitruk.



terça-feira, 19 de abril de 2011

FIGURAS DO MEU ÁLBUM (III)

JOSÉLIO (VULGO "JOHN JOE")

E aí? O sistema tá online ou offline? O Josélio é o cara que adora mudar desnecessariamente uma cadeira de lugar, ligar e desligar as luzes – só pra ter o prazer de apertar o interruptor - e passar a flanela na mesa que acabou de ser limpa. É o seu jeito altamente conectado ao mundo moderno. E ele fala inglês como nenhum inglês - Wain Instains! - , além de consertar telhado, pia, pintar parede e fazer gambiarra nas fiações da Cemar. Pau pra toda obra. Mas foi como garçom do bar do Claudeci que ele mais gostou de atuar, principalmente porque às vezes ele bebia mais do que os clientes. Tinha noite que ele montava na bicicleta e ia dar uma volta pela praça União, deixando o bar sob o comando dos bêbados. Mas logo em seguida ele voltava e antes de  descer da bicicleta dizia: “Vagabuuuuuuuuuuuuuundos”. Nessa época o Josélio não dormia, era vinte quatro horas ligado. Chegava em casa às cinco da manhã e saia às seis. Vivia tanto tempo no bar que algumas vezes as pessoas indagavam: “Mas o Josélio é casado com quem mesmo? Com uma mulher ou com o Claudeci?” Realmente era muito amor entre os dois. Tanto que às vezes eles brigavam e o John Joe sumia por uns dias. Mas depois retornava assoviando e sorrindo como se nada tivesse acontecido. E ia logo nas mesas perguntar em castelhando: “Tá farltando arlguna cosa aí, hombre?” Hoje o Josélio está "trabalhando sério" num "estabelecimento comercial sério" lá pras bandas da Bernardo Sayão. Ah, mas como eu gostaria, agora, de beber uma cervejinha bem gelada servida por esse maluco.